ENTREVISTAS VALDIR ALVES



Q-Em que periodo da sua vida começou a despertar o interesse
pela comunicação social ?


V - Antes de tudo obrigado por esta oportunidade de compartilhar
minha vida, minha paixão com os seus cibernautas.
Para responder à sua pergunta, desde criança que era apaixonado pela rádio. Na altura em que não havia TV, os
relatos de futebol de Portugal e também a nossa rádio fascinavam-me e transportavam-me para um mundo de
magia.


Q - Desejou sempre fazer sua carreira no meio da comunicação social?

V - Sim, já no Liceu na Praia, comecei a pensar: porque não tentar a rádio? Compartilhar as coisas culturais e
desportivas com os ouvintes devia ser fascinante: pensei. E assim que apareceu a oportunidade para um estágio,
concorri e fui aprovado, depois de ter trabalhado um ano como professor. Estive em alguns estágios com técnicos
portugueses em Cabo Verde e passei uma temporada em Moscovo. Mas o jornalismo, é acima de tudo, uma escola
da vida.



Q - Quando ainda era criança, que apresentador da rádio, tv, ou cinema que mais lhe agradava?

V - Admirava os nossos grandes locutores de então e ainda em actividade. O Fernando Carrilho, Luis Lobo, Ivo Vera
Cruz, a Fátima Azevedo (que passaram a ser meus grandes amigos) e outros. Na TV gostava das coisas do Luis
Vasconcelos (Canfra) no desporto e apreciava o telejornal com a Gunga Tolentino, actualmente do Consulado em
Boston. Também escutava os famosos relatores portugueses e brasileiros da Rádio Globo.

Q- Durante o periodo em Cabo Verde, quais são os tópicos mais relevantes da sua carreira professional?

V - Eu pertenci a um grupo que introduziu um novo modelo de comunicação social em Cabo Verde: o jornalismo
radiofónico. Trabalhava mais na informação. Aos poucos, a música foi falando mais alto e acabei por aprender a
fazer animação musical. Cheguei a produzir um programa de audiência nacional que se intitulava "Onda Jovem".
Gostava de cobrir acontecimentos desportivos e culturais.

Q - Como ve a vida profissional de um jornalista agora em Cabo Verde, e quais são os pontos de melhoramentos
para desempenho dessa profissão no seu ponto de vista?


V - O jornalista caboverdiano agora depara com um desafio aliciante: Numa sociedade pluripartidária deve sempre
preocupar com o equilíbrio da notícia, manter a sua imparcialialidade, sem cair (na minha opinião) no
sensacionalismo barato e despropositado. Deve compartilhar os avanços tecnológicos com a sua própria intuição
jornalística (aquilo que nenhuma máquina substitui) e preocupar-se com a camada mais desfavorecida da
população, porque eu pessoalmente, não gosto de ver pessoas a passar por grandes carências. Dói-me no fundo
da alma, ver uma criança ou um velho a mendingar, se bem que sabemos que a pobreza existiu e sempre existirá.
Mas contribuemos para diminuí-la.

Q - Sonhou sempre em fixar se na diaspora aqui nos USA e exercer sua carreira de jornalista?

V - A princípio não, porque não queria desligar-me da comunicação e particularmente da Rádio Nacional, cujos
colegas eram uma família para mim. Apareceu este projecto de televisão(Cabo Video) gostei. As primeiras imagens
divulgadas de Cabo Verde, fez muita gente chorar de emoção. Senti que era algo que devia ter continuidade. E
assim foi, porque gosto de fazer algo que gosto e que o meu sexto sentido me diz para fazer. Depois fiz muitos
amigos nesta comunidade e sou feliz por isso.

Q - Uma vez aqui nos USA, que dificuldades teve de maior para iniciar sua vida professional ?


V - Falta de meios técnicos e financeiros.

Q - Falando do seu programa televisivo CaboVideo, acha que pode ser ampliado cobrindo mais televidentes num
futuro próximo?

V - Pode ser ampliado, porque há espaço disponível e, graças a Deus gozo da confiança dos proprietários. O
problema é que cada minuto de produção custa assim como cada minuto de emissão.

Q - Quais são as dificuldades de momento que lhe impossibilita alargar uma cobertura mais extensa?

V - Dificuldades financeiras.

Q - Como é a constituição técnica da organização CaboVideo?

V -Três modestos departamentos: o departamento técnico supervisionado por um americano que abraçou o
projecto: Paul Watson, a produção sob a minha responsabilidade e o departamento comercial que agora conta com
a jovem Lisa Alves.

Q - Pensa em fazer de CaboVideo uma empresa alargada aos sócios?

V - Porque não? Tenhos planos concretos, só faltam investidores.

Q - Tendo em vista as inovações de hoje na área de comunicação, como pensa tirar vantagem disso relativo a uma
melhor e alargada cobertura?

V - Dentro das nossas limitações financeiras, vamos adquirir um computador que nos permite editar com mais
qualidade e em menos tempo. É o primeiro passo que está, de momento ao nosso alcance.

Q - O programa Porton Di Nos Ilhas é a voz da diaspora dos Caboverdianos aqui e não só, porque nao alarga-la nos
fins de semanas tambem ?

V-  Vontade não falta. Estou disponível a compartilhar meu tempo com os ouvintes, também aos fins de semana. O
grande problema de novo, é de ordem financeira. Se não contássemos com alguns clientes permanentes e uma
certa cooperação dos responsáveis da estaçao WJFD, o programa já teria terminado, infelizmente.

Q - Qual é o acontecimento mais marcante da sua carreira professional ate agora?

V - Gosto da música e desporto. A minha primeira grande entrevista foi com a cantora brasileira Alcione. Foi no início
da minha carreira em 1985. Estava à frente de uma grande artista que eu admirava. Outra entrevista que gostei foi
com a multi-milionária Tereza Heinz. Fiquei impressionado com o seu carácter humano. Entre outros, gostei de
entrevistar o Ronaldinho Gaúcho. Muito humilde e simpático. Se tivéssemos mais oportunidades de nos
encontrarmos, seria com certeza, aquilo tipo de pessoas como quem eu me daria muito bem. A política não me
atrai, embora tenha muita consideração para todos os políticos. Mas gostei de entrevistar o Dr. Carlos Veiga e o
comandante Pedro Pires, duas figuras carismáticas da nossa política. Aqui na comunidade, o momento mais difícil,
foi a cobertura de cerimónias fúnebres. Lembro-me de duas crianças que morreram num incêndio. Quando cheguei
lá, essas pessoas eram parentes meus. Muitas vezes ficava de lágrimas nos olhos com o microfone na mão sem
poder falar. Algumas perdas foram traumatizantes. Quando perdemos Jorge Fidalgo e recentemente quando perdi
um amigo português, de repente: O músico Jack Sebastião, uma excelente pessoa para quem a música não tinha
fronteiras e a amizade não tinha cor ou raça.

Q - Muita gente pensa que Valdir é benfiquista, e qual é sua cor preferida, quais são as respostas?

V - Sou benfiquista, menos na Rádio, porque a rádio não é nossa e eu respeito a opção de cada um.
Cor preferida depende. Prefiro o preto como roupa. Mas adoro o verde das plantas e o azul do mar: sou um amante
da natureza. Cresci entre o campo e a cidade, apreciando o aroma das plantas e o som da chuva no telhado. Desde
criança que eu ia pescar com o meu pai. A angustia que eu tenho, é saber que a natureza amanhã, nunca será
como hoje.
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