ENTREVISTAS


Topicos - A Sra Vanda Rafeiro podia falar um pouco de si e da sua carreira professional?
Vanda - a) Nasci em 24-09-49 no antigo Congo Belga, filha de Pai português e de Mãe Belga e avós holandeses e portugueses. Vim para Portugal
aos 7 anos, e por aqui passei a adolescência; em 1973 casei e, passado pouco tempo, emigrei para a Venezuela, onde estive 7 ano e de onde
regressei em 1986.
b) Tendo tirado o Curso de Assistente de Direcção, e com uma certa queda para o contacto com as pessoas e as línguas estrangeiras, sempre
trabalhei em firmas que me proporcionaram esse tipo de tarefas, tanto cá em Portugal, como até na Venezuela; gosto do relacionamento com
gentes de outros países e culturas, tanto a nível profissional, como até pessoal.
T - Como descobriu Cabo Verde e a sua morabeza?
V - Cabo Verde começou a ser descoberto através da convivência com o Padre Tetecha; a maneira como falava do seu País e da sua gente, e a
sua própria personalidade, atiçavam a minha curiosidade; depois, já recentemente e numas breves férias (uma semana) – visitei pela primeira vez
Cabo Verde – Ilha do Sal.
T - Durante a sua estadia em Cabo Verde o que mais lhe impressionou?
V - Impressionou-me, sobretudo, a simpatia e abertura da gente Cabo-Verdiana. A sua alegria. A sua simplicidade.
T - Como conheceu o sempre lembrado Padre Paulino Andrade de Pina, mais conhecido na comunidade pelo Padre Tetecha?
V - O Padre Tetecha era na altura (aprox .em1970….) seminarista nos Padres Capuchinhos do Amial – Porto, onde ”fundámos” um grupo de
jovens – JA (Jovens Amigos); ele estava aí muito presente. Pouco a pouco, e pela sua inigualável e contagiante personalidade, foi privando
também com o resto da minha família e era considerado como se fosse um dos “nossos” lá de casa. Teve uma relação muito estreita com o meu
Pai, agnóstico convicto, mas de grande dimensão humana e que nutria um grande carinho pelo Tetecha, assim como a minha Mãe.
T - Sabia que os Sr. Padre Paulino tinha um caracter especial ao lidar principalmente com os jovens e acreditava, ou aceitava tolerancia positiva
para uma mudança progressiva entre as camadas da sociedade?
V - Essa era realmente uma das muitas qualidades que tinha, e que não era nada usual nem comum aos outros elementos da Igreja; ele tinha um
dom especial para lidar com a juventude, “descia” até ela, era também um jovem no meio dos outros; ouvia, entendia… e orientava com humildade
e com a sua própria experiência de vida.
T - Se tiver chance e mais informações sobre o Padre Tetecha, faria algum trabalho sobre a vida dele?
V - Do que conhecer da vida do Padre Tetecha, faria sim, embora existam lacunas no tempo e na distância. Por exemplo, os seus últimos tempos
foram silenciosos para mim, já que, talvez pela sua doença, nunca soube para onde tinha ido, nunca consegui que ninguém me informasse.
T - Podia falar um pouco sobre a comunidade caboverdiana em Portugal de alguma maneira ?
V - Não posso dar grandes detalhes de forma directa, já que na zona onde moro não há comunidade Caboverdiana significativa; está mais
localizada na zona de Lisboa. Mas sei que a sua vida não é fácil, e esta era também uma das grandes preocupações do Padre Tetecha.
T - Tem algo agendado para mais uma vista a Cabo Verde?
V - Não está propriamente agendada uma próxima visita; mas está dentro dos meus sonhos; e não propriamente voltar à Ilha do Sal, que achei
muito turística; na próxima visita que efectuar, prefiro e pretendo ver outra Ilhas e tentarei visitar, muito especialmente, a Ilha Brava.
T - Como sabemos, a comunidade mundial está passando um momento critico economicamente falando, tem isso afectado muito o seu ramo de
trabalho?
V - Sim, tem. O mercado está em recessão, o poder de compra desceu em Portugal, o desemprego cresceu, e consequentemente as vendas
desceram… é um círculo vicioso, que se sente localmente, mas que também se verifica no resto da Europa.
T - Que lhe levou a criar o seu informativo Blog?
V - Desde muito nova que gosto de escrever, e tendo entrado nos meandros da informática, comecei a entusiasmar-me e, impelida pela própria
família, decidi tornar público poemas antigos e actuais, sentimentos e emoções.
T - Se gosta do desporto qual á a sua equipa preferida?
V - Gosto de “ver” deporto, mas não o”comercial”… o football é engraçado, mas nos moldes actuais de fortuna exorbitantes e corrupções
envolvidas, não se torna muito chamativo. Claro que se tivesse que escolher uma equipa, seria a do Porto….
No entanto, o atletismo, o windsurf, a vela… são mais agradáveis de se ver…