UM LUGAR  DA COMUNIDADE E PARA COMUNIDADE
SOCIO-CULTURAL
Aug 12, 2013
       RAIZ FAMILIAR DA ILHA DO FOGO CABO VERDE

A cultura, costumes, convivência ou relacionamento entre pessoas, transmite se naturalmente de diversas maneiras; desde o ventre
materno através de sons e outras formas sublimes,   usando a persepção  humana que faz com que a informção seja transmitida e
retida.

Para se valorizar e não perder a cultura,  é preciso conservação, participação, comunicação  e estuda-la para que ela seja
preservada no tempo e espaço.

Os Cabo-verdianos,  sem duvida nenhuma, tem uma cultura própria, forjada naturalmente duma forma caprichosa e inteligente que
engloba muitos traços de  outras culturas e que tem crescido ao longo dos anos de uma maneira estável e inteligente graças ao
grande elo da ligação linguistica que ela tem.
Divulgar, ensinar, e fazer continuar a língua Criola, é um dever de todos os Cabo-verdianos, principalmente a família  onde o
ambiente é natural e propicio para este fim.

O mito e a atitude negativa que muitos  tem de não ensinar a criança a língua dos pais ou da raíz maternal, vai em contraste com a
própria cultura e desenvolvimento humano porque já foi provado - e não deve ser novidade para ninguém - que o cérebro ou a
memória duma criança armazena facilmente  grande quantidade de informação principalmentes linguas ou idiomas.

No concelho de Santa Catarina, Fogo, Cabo Verde, uma localidade mesmo tradicionalista em termos de cultura e onde a longevidade
de vida é mesmo interessante, apesar do condicionamento económico mas, mesmo assim, muitas pessoas alcançam e ultrapassam  a
marca dos cem anos  com uma memoria lúcida que faz mesmo inveja aos chamados mais novo.

Por exémplo, referenciando algumas pessoas notáveis no concelho de Santa Catarina, mais precisamente  em  Cova Figueira, tem
uma senhora, chamada popularmente de Branquinha de Nho Djon Nhadju, que é uma excelente costureira que com a idade de mais
de 105 anos, consegue ainda manejar ou enfiar uma agulha  para coser roupas, reparar balá di tenté e outras coisas das lides da
casa.

Paralelamente e neste mesmo contexto o José di Bilotche, a caminho dos cem anos na caminhada da vida, consegue ter  ainda uma
vivacidade de percepcção lúcida cultural e social bastante elevada que contribuiu e está a contribuir culturalmente para o
desenvolvimento duma grande parte da população na ilha do  Fogo.

Estava em Portugal, viagei para Espanha – conta José de Bilotche – de Espanha, fui para França e lá fui preso no aeroporto por duas
horas porque respondi mal a pergunta que me perguntaram, o meu francês não dava para entender, fui tirado da cadeia por um
português desconhecido, o meu destino, era Holanda mas, acabei por voltar a Portugal.

José de Biloche, nasceu em em Cova Figueira, no dia 20 de Abril de 1917, filho de Cristiano Vieira Fontes e Maria Viieira Fontes,
casou com Maria Julia Martins, ja falecida, tiveram sete filho/as e mais um filho que José teve já com a idade avançada. .

José, gosta muito de falar sobre a árvore genética da família e seu tema central  é sobre a  povoação de algumas localidades na ilha
do Fogo, principalmente a de Santa Catarina, Mosteiros, Relva etc  e neste contexto  ele diz: Nhó Francisco “Chico Fontes”, foi de
Portugal – Açores, para Cabo Verde, com seus dois irmãos, em1806, desebarcaram em Santo Antao, estiveram nesta ilha dois anos,
em 1808  viajaram para a ilha do Fogo e estabeleceram em Curral de Otchon, localidade perto da cidade de São Filipe.  Em Santo
Antão, José, diz que Francisco Fontes, escreveu: “Entrei em Santo Antão, por uma porta e janela, saí pela boca de uma pistola.”  É
que estes irmãos Fontes, por motivos políticos, foram exilidados para Cabo Verde nas épocas da colonização e escravização.

Aconteceu a mesma coisa com o Manuel Vieira de Andrade, que era pai da famosa Domitilia de Andrade, donzela linda na vóz de José
de Bilotche , que originou uma pequena guerra de amor entre a familia Monteiro e Fontes, para a conquista da Domitilia em que o
Francisco venceu, criando assim uma grande familia com uma larga extensao entre, Vieira, Andrade, Fontes, Monteiro e muitos
outros, tudo relacionado na mesma árvore familiar na ilha do Fogo.

Estudar, comnservar e informar, os conhecimentos de José de Bilotche, só pode enriquecer ainda mais o património cultural da ilha
do Fogo. É com esta ideia que vamos publicar alguns extractos ou series das escrituras,  pensamentos e dizeres dele, a fim de
podermos fazer um compilamento mais clarificante do nosso passado e que a todos pertencemos.

Joaquim Fontes
12 Agosto 2013
www.topicos123.com